quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O cego que não quer ver


A alguns dias atrás eu estava fazendo uma refleçâo sobre o comportamento de alguns políticos no RN, quando passei a perceber o quanto nossa política está repleto de hipócritas e canalhas. No entanto , depois de ler o artigo do sr. Miranda Sá no jornal de hoje desta terça-feira, 04 de Novembro, vejo que não é só a política que está repleto dessa espécie que se dilaceram por ai. O jornalismo parece-me também referendar alguns jornalistas que pousam de independentes, mas que o máximo que consegue é emitir uma opinião em consonância com as elites da comunicação em nosso estado, a quem prestam seu sevirços, se é que posso classificar desta forma.
Embora seja só sua opinião, a mesma está repleta de uma canalhice tão grande que o jornalista não consegue desassociar-la de seu desejo, que me parece ser o de ver a sociedade brasileira voltar a ser dominada por aqueles que mas contribuíram para concentração de rende neste país. Como sua opinião é veemente atrelada aos da FRB (Forças Reacionárias Brasileiras - secção RN), já que depende destes para diagramar sua atividade laboral, dificilmente poderemos ler algo diferente na sua opinião. Contudo, gostaria de lembrar ao mesmo que não é minimizando os fatos, ou melhor, os números ao seu bel prazer que a dinâmica da sociedade se projeta para o futuro.
Queria só lembrar ao "jornalista " que o PT nunca disputou um segundo turno em salvador, o que já é uma vitória; em BH o chapa vencedora foi com o Vice do PT, sem citar o interior de Minas; em Santa Catarina conquistou Joenville, o maior colégio eleitoral do estado..... No mais, não veja só a VEJA, veja os números , as estatísticas.......Além do crescimento de 36% em relação ao resultado de 2004, o PT foi o partido que mais conquistou novas prefeituras (148) e o que obteve o maior percentual de reeleições (56%). A partir de 2009, irá governar para quase 20 milhões de brasileiros – aumento de 17% sobre 2004.
Primeiro, cresceu no número de prefeituras que será governadas, passando de 411 em 2004 para 559 em 2008. O maior crescimento em número absoluto de prefeituras e o terceiro maior percentual de crescimento entre todos os partidos.Em segundo lugar, aumentou o enraizamento político, obtendo expressivas vitórias em cidades pequenas, médias e grandes por todo o país.
Vou explicar melhor: de um lado vai governar 121 cidades em 2009 que possuem entre 10 mil e 20 mil eleitores, ou um aumento de 59% em relação a 2004. De outro, foi vitorioso no maior número de disputas nas principais cidades do país, composto pelas capitais de Estado e pelas cidades com mais de 200 mil eleitores. Em 2009, o PT estará à frente de 21 cidades destas, um crescimento de 23,5% em relação a 2004.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Serra, Kassab & Cia. Ilimitada

Visto de longe, o Brasil saiu mais petista e mais peemedebista desta eleição em dois turnos, e menos pessedebista e menos dem também.Não fosse a vitória de Kassab, o DEM ficaria anêmico. Também não fora a vitória de Kassab, o PSDB também não teria grande coisa a festejar. A imprensa conservadora e seus analistas também.

A partir daí quer-se construir o discurso da vitória de Serra como o grande passo desta eleição. As premissas desse discurso são: só o que acontece nas maiores metrópoles é relevante; só o Brasil das grandes metrópoles é relevante; só o que acontece com Serra é relevante. Essas análises permanecem ainda aferradas ao modelo de pensamento da pedra no lago, dos círculos concêntricos que se espalham, que o eleitor dos grandes centros do sudeste vale mais do que o das outras regiões do país, etc.

Porque Serra precisa ser ungido como o moinho de vento diante do qual os quixotescos petistas, ou lulistas, ou o que forem, serão desapeados de seus Rocinantes. Pois assim essa leitura vê os eleitores que votam à esquerda, com Lula ou sem Lula: como Rocinantes montados por Quixotes.
Há várias considerações a fazer. O PMDB saiu muito fortalecido nas eleições, embora não tenha definido uma liderança nacional. Vai cobrar um possível apoio a um candidato lulista em 2010. O PT cresceu muito, talvez, proporcionalmente, entre os grandes partidos, tenha sido o que mais cresceu. Houve casos relevantes para a análise.

Por exemplo: tão importante quanto fazer a análise de por que Maria do Rosário perdeu em Porto Alegre, se possível sem dedos apontados para o linchamento, é fazer a análise de porque o PT ganhou em quase todo o cordão de cidades vizinhas que pertencem à grande Porto Alegre. Ao contrário de antes, quando era um bastião vermelho, a capital gaúcha agora está cercada por um anel rubro. Para além da questão dos acertos e erros de campanha, que são cruciais, é preciso chegar até a análise social do que está acontecendo no país e em suas diferentes regiões.
Outro exemplo: sim, Sérgio Cabral sai engrandecido com a vitória de Eduardo Paes e a derrota do neo-udenismo de Gabeira. Mas deve-se analisar qual o papel, nessa vitória, da crônica impossibilidade da esquerda carioca colocar uma plataforma e candidaturas viáveis, unindo-se em torno delas, e não apenas se concentrando na defesa de seus nichos.

No caso de S. Paulo, sim, de certo modo Serra venceu. Ou seja, derrotou Alckmin na disputa interna do PSDB, empurrou FHC mais para a sombra, e tornou-se o líder desse partido e, portanto, o cabeça-de-chave da direita nacional. Agora, atribuir a seco a vitória de Kassab ao empurrão de Serra é desconhecer pelo menos um fator preponderante nessa vitória: o próprio Kassab. Kassab obteve uma vitória contundente em S. Paulo capitalizando sim o anti-petismo que viceja na comarca paulistana, mas também porque sua administração avançou em alguns territórios que em outras eleições votaram em peso na ex-prefeita Marta Suplicy. E fez isto porque se afastou de balizas da gestão de Serra na prefeitura, fazendo uma administração mais “populista”, se me permitem tomar o jargão que a direita usualmente quer pendurar na esquerda.

Portanto, para se buscar uma visão que balize a discussão do resultado e da resultante, isto é, a eleição de 2010, é preciso ir além do tabuleiro político em sentido estrito, e se ver como estão se (re)alinhando as forças sociais que esse tabuleiro representa. Os pobres, ou os ex-pobres, se também tomarmos em conta os milhões de brasileiros que cruzaram o linha da pobreza para cima, estão cada vez mais cobrando voz na política. É a sua presença que vai definir o cenário futuro, é a força da sua maré que vai terminar de afundar a teoria da pedra no lago. Mas isso não significa, necessariamente, uma votação mais à esquerda. Se não houver trabalho de aproximação contínua com essa nova paisagem brasileira, periga ela tornar-se conservadora. A crise e seus efeitos vão dar a nota toante nos próximos tempos, junto com as propostas para enfrentar seus problemas, e o modo de explicitá-las

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Contraversões Eleitorais 2008




1. Se os tucanos consideram que Lula foi derrotado, deveriam tê-lo atacado e colocado seu governo no centro da campanha. Se se fosse fazer a lista dos candidatos que elogiaram o Lula – incluindo até o Kassab -, o Lula seria o vencedor praticamente unânime no Brasil inteiro. Serra adianta que não será candidato anti-Lula e sim pós-Lula. Se o bloco tucano-pefelista é essencialmente opositor ao governo Lula, deveria ter outro candidato ou impor uma candidatura opositora frontalmente contra o governo Lula.

2. De fato, os partidos da base do governo são os grandes vencedores, tendo eleito prefeitos em 20 das 26 capitais. O PMDB e o PT, cada um com 6 capitais, são os maiores vencedores individuais.
3. Sobre transferência de votos, recordar que FHC, no seu primeiro mandato – no segundo, à altura em que Lula tem 80% de apoio, FHC tinha 18%, não teria o que transferir, senão um peso negativo -, viu o PT eleger prefeitos em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, entre outras capitais importantes, confirmando como o prestígio nacional não se transfere para o plano municipal.
4. FHC volta a falar da crise. Ele tem experiência: produziu três crises que quebraram três vezes a economia brasileira, as subestimou e foi fragorosamente derrotado nas eleições do fim do seu mandato e amplamente rejeitado até hoje. Poderia ser candidato a algum posto, se tivesse coragem de enfrentar a opinião dos eleitores sobre ele e seu governo, que nem mesmo o Alckmin defendeu, nas eleições presidenciais passadas.
5. A Globo deitou e rolou com seu poder monopolista na mídia carioca: fez tudo até conseguir tirar o Crivella do segundo turno (não por evangélico, mas por ser da TV Record, competidora da TV Globo), fez de tudo e quase conseguiu eleger o Gabeira. Em São Paulo, a FSP, o Estadão, o UOL, fizeram ativa campanha por Kassab, como verdadeiros boletins de comitês de campanha, valendo-se do monopólio midiático que detêm.
6. Os três governadores dos três principais estados conseguiram eleger os prefeitos das capitais. A banca governamental foi a maior vencedora da eleição, somando-se as prefeituras ganhas e os votos recebidos, sai amplamente ganhadora.
7. Os tucanos só garantem bom palanque em São Paulo, ainda assim descontadas as vitórias do PT e da base governamental no ABC, em Baurú, em Campinas e em outras cidades importantes do estado.
8. O antipetismo, como ideologia da classe média conservadora, tem seus núcleos mais fortes em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, com a diferença que neste estado não favorece os tucanos, mas o PMDB, partido da base aliada do governo.
9. Os eventuais efeitos da crise não tiveram nenhum efeito, apesar do clima de terror que a ditadura midiática tenta impor. Mas certamente torna-se um tema central de disputa ideológica, a capacidade de resistência da economia brasileira à crise e o que teria acontecido, caso os tucanos-pefelistas estivessem governando, com todas as fragilidades que impuseram à economia brasileira.
10. A mídia ditatorial foi o grande dirigente político da direita. Torna-se muito difícil um candidato que luta contra ela se impor, se não conta com as realizações do governo. A luta contra a hegemonia do capital financeiro e a ditadura da mídia mercantil são temas centrais para a democratização do Brasil.

Emir Sader é sociólogo e professor.Texto originalmente publicado no Blog do Emir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Hipocrisia na Política do RN

Em entrevista ao Jornal de Hoje, desta Segunda-Feira, 27 de Outubro de 2008 fiquei estarrecido com a forma como os políticos brinca com a capacidade de percepção do eleitor. É lamentável que os partidos políticos no Brasil ainda esteja repletos de canalhas. E ainda tem deles que acha que o eleitor é burro ou imbecil. Vejam só a que ponto chega o deputado federal Rogério Marinho em afirmar que “o desejo de seu grupo não se traduz em cargos e adesismo” . O deputado deveria ser menos hipócrita, afinal de contas sua fatia já está garantida na administração da prefeita eleita Micarla de Souza.
Outra coisa é a palavra coerência que ele vive arrotando por aí. Pois o mesmo só escarra está em acordo com suas conveniências. Ele se diz coerente com o partido por defender candidatura própria, mas num processo democrático internamente nestas agremiações politicas, é esperado coerência também com a decisão da maioria. O mesmo ainda fala sobre desfiliação do PSB, e não o fe0z ainda por respeito a lesgilação. Está é uma outra hipocrisia maior ainda, pois qualquer cidadão que entenda um pouquinho de legislação, sabe muito bem que o mesmo optou com toda sua coerencia apoiar por debaixo do pano a candidatura de Micarla, não tendo coragem de assumir sua posição, simplimente para não perder o mandato por infidelidade partidária.
Pena que O PSB não tenha a ética para espulsalo. Talvez a conversa que ele pretende ter com a direção nacional do PSB, seja o de negociar sua expulsão, só assim ele consegue manter coerentimente o mandato de deputado federal.

domingo, 26 de outubro de 2008

Crise Econômica

O Governo FHC – O Brasil teria aguentado oito anos mais?

O Brazil dos tucano-pefelistas (I)A aliança tucano-pefelista assumiu o governo em 1995, com FHC, prometendo que a estabilização monetária resolveria todos os grandes problemas do Brasil: inflação, divida pública, estagnação econômica, atraso na modernização do país, desemprego, poder aquisitivo dos salários, etc. etc. Era um bloco novo no Brasil, em que um partido que se dizia social-democrata, formava uma coalizão com um partido originário da ditadura (cuja mudança, novamente, de nome, não permite disfarçar sua origem, de que seus caciques são testemunhas: Borhnausen, ACM, Marco Maciel e outros que o dirigem atualmente), para aplicar o programa do FMI, do Banco Mundial e da OMC, que já estava sendo aplicado por Menem na Argentina, pelo PRI no México, por Carlos Andrés Perez na Venezuela, entre outros.FHC reelegeu-se, quatro anos depois, com toda a urgência, porque o Brasil estava de novo quebrado nas mãos de sua equipe econômica, Pedro Malan negociava uma nova Carta de Intenções com o FMI – a terceira, em menos de quatro anos, na terceira quebra do país -, pelo que era necessário ganhar no primeiro turno, para impedir que o povo soubesse o que saberia poucas semanas depois: a nova falência, a nova Carta, as falcatruas do Banco Central – no caso Marka-Fonte Sindam, pelo qual vários dos diretores daquele Banco estão condenados – e a elevação da taxa de juros a 49% (sic). Tudo feito com todo o apoio da grande imprensa privada – FSP, Veja, Estadão, O Globo. O Brasil foi jogado numa recessão, da qual só saiu recentemente, com profunda feridas daquela política regressiva e anti-popular.A quebra por três vezes do país foi conseqüência da política econômica de FHC, apoiada por todos os organismos internacionais, por 3/5 do Congresso – incluído o PMDB, o PPS, o PV, o PP, o PTB – e da grande mídia. O candidato que dizia que “o Estado brasileiro gasta muito e gasta mal”, fez a mágica de transformar a inflação em dívida pública, multiplicando-a por mais de 10 vezes, levando o Estado brasileiro à falência.Privatizou todo o patrimônio público que conseguiu – da Vale do Rio Doce, empresa líder do seu setor no mundo, vendida a preço que permitiu pagar dois meses da dívida pública, a preço de banana, às telecomunicações, entre tantas empresas -, chegou a fazer com que a Petrobras mudasse de nome para Petrobrax – por 24 horas, teve que retroceder diante da indignação pública -, para tirar-lhe a referência a Brasil, torna-la “empresa global” e favorecer sua privatização, iniciada com a venda de ações da empresa nas Bolsas de São Paulo e de Nova York, depois da quebra do monopólio estatal do petróleo.O governo tucano-pefelista de FHC promoveu o mais acelerado processo de concentração de renda que o Brasil conheceu em um breve espaço de tempo – de que a transferência de patrimônio publico a mãos privadas foi uma parte essencial – e FHC saiu do governo com a mais baixa avaliação que um presidente havia tido (quando Lula têm 80% de apoio, no seu sexto ano de governo, FHC tinha apenas 18%, quase cinco vezes menos), considerado o “candidato dos ricos”, a quem favoreceu como nunca havia acontecido no Brasil.O que seria do Brasil se Serra tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?A essas perguntas responderemos no próximo artigo da série "O Brazil dos tucano-pefelistas".

Emir Sader é sociólogo e professor.Texto publicado no site da Carta Maior (www.cartamaior.com.br)